Estou a fazer uma formação em Psicologia Positiva com uma professora TOP a Barbara Friedickson – coisas boas do digital. Sugestão de trabalho de casa foi escolher uma emoção positiva e fazer um portfólio sobre a mesma de forma a aumentarmos a repetição da mesma. Eu decidi escolher Awe – que em portugês se pode traduzir como admiração e o meu portfólio será este artigo.
Desde que comecei a caminhar de manhã cedo desenvolvi uma conexão muito forte com a natureza. Simultaneamente comecei a perceber o meu verdadeiro lugar no mundo – sou apenas mais um ser por aqui a viver e tentar dar o meu melhor. Esta humildade que eu tanto buscava encontrei-a da forma mais simples possível.
Contextualizando, em Felgueiras confinamos antes de todo o país. De repente não tinha trabalho, ginásio nem a viagem que ia fazer mas que ficou sem efeito. Aproveitei esta paragem, que na altura achava que seria mais curta (e ainda bem senão pirava) para colocar a leitura em dia e fazer formação em desenvolvimento pessoal. Antes disto eu viajava muito sentia necessidade disso para relaxar, parar, abrandar…as viagens eram uma forma de gestão emocional: sei-o agora.
As caminhadas sem destino, às vezes antes do nascer do sol, passaram a ser o meu ex-libris e a forma de gerir as minhas emoções.
Este conjunto de fatores fez-me aumentar as minhas emoções positivas de uma forma brutal. Os benefícios eram inúmeros. Senta-me otimista, confiante e empoderada. Em menos de 15 dias comecei a dar a volta por cima e a dar consultas online – acho que fui pioneira nesta opção – a desenvolver formação própria que estava sempre a adiar (as famosas 21 dias, jornada pela cura). Tinha ideias brilhantes, tempo e motivação para as colocar em prática, como por exemplo a Psitalk 🙂
Mas esta emoção, AWE é-me difícil de vos explicar. É algo muito espiritual e confesso ter receio de ser mal interpretada, porque eu já pensei mal das pessoas que falavam ou diziam o que eu agora digo… mas a verdade é que não há palavras que consigam ilustrar o que de facto se passa dentro de mim o que sinto quanto esta emoção me assola.
Os verdes tão diferentes e tão imensos deste vale em que habito, os riachos que nascem nos sítios mais inesperados, as pedras cobertas de vida, os pássaros que se agitam nos céus e o vento que faz toda esta natureza comunicar comigo…e as montanhas… As montanhas que prendem o meu olhar.
Não consigo parar de pensar como é tudo tão imenso e eu sou tão pequena. Sinto que me apetece voar, agarrar estas cores e partir. Sinto que me encho de algo que me emociona, que me preenche e que me faz querer mais. Sinto que vejo melhor, mais coisas, mais cores e que aguço a minha existência nesta imensidão. Sinto que, tudo o que possa viver é tão pequeno comparado com a grandiosidade da natureza, é tudo tão simples e até tão insignificante…sinto que os meus problemas não são problemas são só factos, partes, folhas caducas…
Por vezes até me apetece chorar, outras dói-me o peito. Mas sempre me motiva a ir mais além. Essencialmente não há limites para mim, para onde eu possa ou queira ir eu vou…as portas abrem-se e eu, sou convidada, faço parte. Sou pertença. O amor também está lá, nessas paisagens e eu agarro-o. E a chuva torna as cores ainda mais nítidas, os verdes mais verdes.
As emoções positivas são isto – Viajar sem sair do lugar – é uma sensação de êxtase constante. Tal como uma droga queremos mais, desejamos ardentemente mais, sinto-me anestesiada e seduzida pelo seu poder.
Com esta emoção em mim sentida aqui tão próxima de casa, a ideia de viajar saiu…continuo a gostar de Ir – eu sou de ir – mas eu posso ir aqui perto. E percebo até que sou mais feliz a explorar as minhas montanhas e verdes (e em Portugal temos tantos), do que quando viajava para bem longe daqui…talvez procurasse fugir de emoções e não sentir emoções.
E as minhas fotos? São belíssimas e registam estes momentos mas quando me dizem que Felgueiras é lindíssima eu respondo que é o meu olhar… e as minhas palavras que a tornam assim.

Na verdade podes ser feliz até no mais inóspito lugar. Desde que te encontres.
A Psicóloga Lá de Casa.
