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Respirar

Temos tendência para achar que o que é complexo é o desejável, e o simples, é demasiado fácil para nos prender a nossa atenção. Achamos sempre, no alto da nossa arrogância que o simples tem tempo, pode esperar.

Mas sabem que é nas coisas simples que reside a felicidade?

E a felicidade parece algo bem difícil e complexo não é?

Será que o simples é assim tão simples? Desafio-vos a realizarem sempre aquilo que dizem ser fácil. E logo se vê!

Quando falo em aprender ou trabalhar a respiração percebo em como isso é já um cliché da psicologia e da internet. Mas qual é a primeira coisa que fazemos quando nascemos?

Respirar.

A respiração é o canal utilizado pelo ser humano para se conectar à vida. É a primeira forma de adaptação à adversidade – que para um bebé representa viver fora do ventre materno. De facto, quando algo na nossa vida corre mal respiramos mal. E nem damos conta. Mas ao contrário de várias outras ferramentas, a respiração está num plano totalmente consciente. Pode ser trabalhada. Pode ser treinada. Só que é algo tão simples e básico que a maior parte das pessoas prefere outras estratégias.

Há várias formas de trabalhar a respiração que vão muito além do inspirar e expirar e há várias que eu recomendo. Por falar em mim, em consulta respiro quase sempre mal. Estar em consulta implica estar em total atenção à pessoa. Isso faz com que haja um aumento de adrenalina – para que eu possa estar desperta – que é acompanhada por uma emoção chamada ansiedade. A ansiedade, em dose certa ajuda imenso em tudo o que é trabalho que requer atenção plena. Mas encurta a respiração. Porquê? Para estar atenta o meu corpo fisiológico está ativado para uma espécie de ataque – ele sente que eu o quero atento a todos os pormenores. Assim, as pupilas dilatam (para que eu veja melhor), a irrigação do sangue aumenta de velocidade (para me preparar para uma ação como fugir), a respiração encurta para que a energia aumente, as mãos podem suar e o coração bater mais depressa. Ansiedade!

Para que serve o trabalho de respiração? Para eu conseguir estar atenta mas regular este plano fisiológico que, à partida, não me servirá de muito, nomeadamente a parte de atacar e fugir.

Usamos a respiração como âncora, como uma porta de ligação entre as emoções e a inteligência ou razão. Se muito emocionais, vamos ser muito automáticos e ter respostas pouco habituais em nós, ou indesejáveis, se usarmos a respiração conseguimos pensar melhor, ver com mais clareza as nossas opções e não só a opção de atacar, a exemplo.

E como posso trabalhar a minha respiração?

Basta tirar uns minutos por dia para sentir a mesma, o ar que entra e o ar que sai e abrandar este processo. Fazer com que tenhas inspirações mais lentas, seguidas de expirações também mais lentas e uma pausa antes da próxima inspiração. Podes até cronometrar para perceberes quantas respirações completas fazes num minuto a respirar normalmente – de forma inconsciente, e a respirar de forma consciente, como atrás explico. Percebe como és capaz de, com a prática, cada vez respirar mais devagar.

Basta isto para melhorar a capacidade diária respiratória, aumentar a caixa torácica, diminuir tensões musculares no peito, garganta e zona dorsal e, claro, a chave de ouro, aprender a dar respostas emocionalmente inteligentes.

Não é o milagre, mas ajuda muito no processo de gestão emocional diário.

 

A Psicóloga Lá de Casa.

(Ligeiramente desaparecida)