Ao longo da nossa vida vivemos várias situações, boas e más. Todas elas ficam gravadas na nossa mente e deixam marcas. Algumas destas marcas ou cicatrizes irão moldar a nossa personalidade e a forma como interagimos com o meio que nos rodeia: a forma como encaramos determinados acontecimentos e a forma como nos damos a conhecer ao/à outro/a.
Esta forma de interação com o meio pode ser potenciadora ou destrutiva. Depende de como nós lidamos com estas mesmas cicatrizes, se as aceitamos, se nos perdoamos e se as reciclamos.
Colocando isto em exemplos práticos. Vamos imaginar uma pessoa cujos dois relacionamentos amorosos que teve fracassaram. Num foi traída e, no outro, a pessoa simplesmente a deixou. Esta pessoa poderá (às vezes inconscientemente) toldar uma nova relação pela insegurança, dúvida, ciúme…Uma pessoa que teve um falecimento de alguém muito próximo e que não aceitou esta morte pode, mesmo vários anos depois, continuar a não conseguir falar sobre isto, a culpabilizar-se , a temer a morte e a perda.
Todos/as nós temos estas marcas ou cicatrizes. Elas vão-se acumulando e transformando em resíduos tóxicos – eles consomem-nos, desgastam-nos, destroem as nossas relações interpessoais, distorcem a realidade dos factos, causam-nos emoções negativas – ansiedade exacerbada, medo limitativo e irracional e impedem-nos da total liberdade e da vida plena.
Estes resíduos são objeto do trabalho na psicoterapia ou no desenvolvimento pessoal. Não queremos deitá-los ao lixo. Eliminá-los. Seria mais fácil sim, mas não é possível. É preciso transformá-los, recicla-los. Integrar esta dor e sofrimento em nós como parte da nossa história passada. São estes resíduos que nos fazem crescer. Que nos preparam para a vida.
Seja grato/a por eles existirem.
Eles são a nossa história.
Recicla-os.
A psicóloga lá de casa.

