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Relacionar

A palavra relacionar vem do latim relatio que significa restaurar, trazer de volta. O sufixo RE indica um regresso ou voltar. Atualmente mais commumente associado ao estabelecimento de uma ligação com alguém.

Nos últimos anos os relacionamentos interpessoais têm estado em cheque. Estamos demasiado absorvidos no Eu, no individualismo e, em consequência, os nossos relacionamentos têm sido colocados em causa mas principalmente a qualidade dos mesmos. Como causas deste novo paradigma destaca-se a nossa forma de viver, pouco comunitária (outrora uma necessidade), as múltiplas distrações que temos e principalmente, o aparecimento das redes sociais e telemóvel.

Já deu por si a observar a facilidade com que nos perdemos no telemóvel em que vez de convivermos ativamente? No tempo que se perde a postar a foto do café, do lanche ou de alguma outra coisa e na desvalorização do convívio e do momento em si?

Estamos a perder competências cognitivas com estas múltiplas distrações. Competências estas que nos trouxeram até aqui: o suporte social, a atenção, foco, a empatia… O nosso desenvolvimento enquanto espécie deve-se ao facto de termos desde cedo compreendido que em comunidade teríamos mais hipóteses de sobrevivência. Contudo, atualmente, cada um/a de nós pode realizar as suas tarefas sem dedicar tempo nenhum a criar ligações. Falo de ligações físicas, reais e não digitais. Temos muito e não temos nada. Porque esta não é a nossa natureza e quando obliteramos a nossa natureza, criamos um vazio interior. Este vazio é preenchido com coisas, bens materiais que no fundo só nos trazem mais frustração e nos engolem de culpa e insegurança.

Veja os sinais deste vazio relacional Ou ausência de relações de qualidade:

  • Pensamento (e comportamento) acelerado;
  • < Qualidade dos relacionamentos e intrusão (engagement);
  • Superficialidade das interações;
  • Emoções negativas a maior parte do dia: inveja, ciúme, competitividade, comparação, obsessão, posse, a pessoa como uma utilidade….sentimentos disruptivos face ao EU e que se transferem para as pessoas com quem convivemos;
  • Ansiedade exacerbada;
  • Medo de perder (seguidores, clientes, amigos/as…);
  • Acumulação excessiva (coisas, pessoas, números…);
  • Stress – viver em perigo eminente;
  • Dificuldade em retornar à calma, dormir, parar, estar só, silêncio…
  • Busca incessante por prazeres imediatos como forma de alcançar a felicidade;
  • Baixa auto-estima;
  • Problemas cardiovasculares;
  • Comprometimento do sistema imunitário;
  • Aumento da inflamação;
  • Etc…

Como forma de fugirmos às nossas fragilidade, usamos o disfarce e camuflamos os nossos sentimentos e emoções por acreditarmos ser mais fácil lidar com elas e/ou que irão desaparecer (por artes mágicas). É quase como se varrêssemos o lixo para debaixo do tapete.

Acontece que o negativismo acumula-se, transforma-se e cresce como um monstro. E assombra, seduz, enreda…cria um ciclo vicioso onde o buraco negro espreita – a depressão.

Assim, como deve privilegiar as relações humanas:

  1. Agende momentos com amigos/as, família;
  2. Tenha curiosidade sobre o/a desconhecido/a – crie uma conversa, saude a pessoa, mantenha contacto ocular;
  3. Inscreva-se em formações, desportos coletivos, associações ou faça voluntariado;
  4. Quando está com alguém esteja verdadeiramente – dispense o telemóvel e peça ao/à outro/a para fazer o mesmo;
  5. Caminhe pela natureza e sinta-se uno com a mesma e com os animais – para e observe;
  6. Sente-se num parque e observe;
  7. Escreva sobre o que sente e o que pensa- pratique o journaling;
  8. Partilhe os seus sentimentos, receios com alguém;
  9. Coloque-se no lugar do/a outro/a e compreenda o seu mundo;
  10. Livre-se do acessório e foque-se no essencial.

Lembre-se sempre que as adversidades são momentos de enorme crescimento pessoal. Não permita que algo mau seja em vão, aconteça por acaso. Crie um sentido.