Terminar uma relação é uma decisão difícil. Para ambas as partes. Quer seja de forma unânime ou não, significa o fim de uma vida a dois, o fim de um investimento e fracasso. Imaginando que a pessoa que termina já teve relações anteriormente, o impacto de mais uma perda pode ser devastador.
Contudo, por vezes é um mal necessário. Quando?
- existe um sentimento de desesperança;
- há perda da intimidade e/ou relação sexual;
- perda da admiração e do brilho no olhar quando se fala daquela pessoa a outrem;
- os projetos futuros não envolvem ou contemplam o/a companheiro/a;
- ansiamos pelo momento em que estamos sós ou com outras pessoas (amigos/as; família; trabalho).
Algumas pessoas chegam à consulta com situações de ansiedade e/ou depressão com o objetivo de trabalhar estas problemáticas. Porém, não raras vezes, quando imergimos na história de vida que nos é trazida, apercebemo-nos de que a temática circunstancial reside na relação amorosa.
Na maioria das vezes, aqui chegados/as, há uma consciencialização paralisante. Impactante. Que pessoa sou eu que não amo mais com quem estou? Como vim aqui parar? Que culpa carrego dentro de mim?
Este conformismo paralisante pode levar meses a pôr um ponto final na relação e até anos. Quantas pessoas estão até hoje com companheiros/as que não amam mais?
A verdade é que à medida que o tempo passa, a ligação aumenta em número (anos) e também em laços – a perda implica: filhos/as separados/as; família em comum; amigos/as; acontecimentos; experiências,…
A separação é uma perda. É muito mais do que estar separado/a fisicamente, é acreditar que tudo o que se viveu se desmoronou. Não tem mais sentido ou foi uma luta inglória, uma perda de tempo.
Mas não tem que ser assim.
Tudo é uma questão de escolhas: ou escolho ver isto como um fracasso, ou escolho ver como a música “foi bom enquanto durou”.*
Há ruturas mais difíceis do outras e disso dependem alguns fatores, como por exemplo: a duração temporal; o inconformismo ser unilateral (a outra pessoa que não sente que exista algo de errado), existir uma traição física ou imaginária (pensar frequentemente noutra pessoa). Para evitar uma rutura difícil, bastaria não deixar arrastar este conformismo. Contudo, voltamos ao cerne da questão, é difícil e paralisante.
A decisão
Após o choque inicial e depois da decisão ponderada, preparamos o/a cliente para terminar a relação. Isto implica empoderá-lo/a, torná-lo/a consciente da existência de um problema que afeta as duas partes, alterar crenças ou pensamentos negativos face às vivências passadas e às convenções sociais (vergonha, medo da crítica, ser alvo de mexericos, pena, etc).
As decisões devem sempre ser ponderadas e devem sempre ter em linha de conta a saúde e bem-estar das duas partes e envolvidos/as. Manter um casamento/relação por terceiros, filhos/as por exemplo, é arrastar um problema que já afeta todos/as. Perpetuar uma relação tóxica onde já não há amor poderá levar a que alguém se apaixone por outra pessoa e que se abra uma porta para a perda de respeito mútuo e dignidade que conduzirá a uma rutura dolorosa.
Todas as relações tóxicas têm que terminar?
Não necessariamente. Depende bastante das pessoas e suas características psicológicas, dos limites que cada um/a considera aceitáveis e das consequências físicas e sistémicas que essa toxicidade tem despoletado. Não obstante, é possível reencontrar aquele amor esquecido nos olhos da outra pessoa com a ajuda de várias técnicas e estratégias terapêuticas que podem encontrar-se na alçada da Terapia de Casal.
Ninguém está livre de deixar de amar, de ser traído/a ou de ver várias relações (fracassadas). Mas ninguém tem que se manter nelas.
Bibliografia de apoio: Gameiro, J. (2007). Entre marido e mulher…terapia de casal. Trilhos Editora.
Mais informações e apoio terapêutico: PsiqEvo- Psicologia Unip. Lda. (contactos no blog).
*Música DJ Ademar & Boy Teddy – Já decidi.https://www.bing.com/videos/search?q=foi+bom+enquanto+durou+m%c3%basica&docid=608052883093062356&mid=15E17F107FFE9238A79515E17F107FFE9238A795&view=detail&FORM=VIRE
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