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Palavra Preferida: Natureza

Sou fã do podcast da Rita Alvim, N’a Caravana e imagino sempre o que responderia à sua pergunta mais icónica: “Palavra preferida?” a minha resposta é NATUREZA. E é sobre ela que vou escrever hoje e explicar-vos porque amo esta palavra e tudo o que ela encerra.

A natureza e o contacto com a mesma tem efeitos benéficos ao nível do nosso bem-estar que de forma empírica quase tod@s sentimos. O contacto com a natureza é incentivado nas culturas orientais, nomeadamente nas filosofias budistas.

Nos últimos anos a ciência tem-se debruçado muito sobre este assunto e os estudos multiplicaram-se principalmente após a pandemia.

Nós somos feit@s das mesmas partículas que a natureza, que o universo (minerais como o ferro, água,…) portanto parece lógico considerar que poderá existir um elo de ligação indivisível entre o universo e nós. Este elo poderá ser ainda mais forte entre nós e os restantes seres vivos, visto que com eles partilhamos características que nos denominam como tal: nascemos, crescemos, vivemos, reproduzimos-nos e morremos. Por outro lado, existe uma cooperação inegável na natureza. Já sabemos da importância das abelhas no processo de polinização, das minhocas, larvas e todos os insectos que trabalham a terra e a tornam fértil, ou não teríamos agricultura and so on and onPrecisamos uns dos outr@s.

A natureza é também composta por elementos energéticos, dos quais nós também fazemos parte. Há muitas pessoas que relaxam com o som da água e outras com o som de uma lareira a crepitar…a maior parte de nós não é indiferente a estes estímulos. Também posso falar da lua e da influência que exerce sobre o ser humano, as plantações ou as colheitas e poderia enumerar N cenários que validam o sistema retroativo de que falo. Funcionamos como uma cadeia, nós somos a natureza e ela somos nós!

A teoria da biofilia de E. Wilson, fala da nossa busca incessante por experiências na natureza: os banhos de mar no ano novo, as caminhadas de cura quando estamos tristes ou queremos estar sós, os múltiplos desportos que desafiam a natureza…e olhando mais lá atrás, na nossa própria história, sabemos que a primeira forma de religião foi mesmo a veneração à própria natureza.  Ulrich fez um estudo sobre os pacientes em recuperação cardiovascular e concluiu que os que tinham uma vista para a natureza tiveram uma recuperação mais rápida do que os que não tinham; Kuo Ming em 2015 escreveu uma revisão teórica acerca dos benefícios comprovados da natureza em determinadas problemáticas mentais e físicas que afetam os seres humanos.

A natureza parece influenciar positivamente:

  1. a promoção de emoções positivas, como a gratidão;
  2. diminuição do stress;
  3. aumento da sensação de felicidade;
  4. melhoria da capacidade de atenção e aumento da criatividade;
  5. aumento de energia e atividade;

Mas o mais interessante para mim foi mesmo encontrar estudos que falam que o contacto com a natureza e a sua observação promove comportamentos de bondade e generosidade. Se pensarmos que atualmente passamos mais tempo em atividades interiores do que exteriores e que de facto estamos mais individualistas do que nunca….

Suzanne Simard tem feito inúmeros estudos sobre as árvores e a floresta, tendo encontrado uma internet das árvores-mães que, num sistema de sinais nervosos enviam mesnagens de sobrevivência às arvores mais fracas ou novas, por baixo de terra. Mas o mais surpreendente é que há uns 10 anos atrás, Suzanne foi diagnosticada com um cancro de mama em estado agravado. Tendo que fazer tratamentos muito agressivos chegou a um limite daquilo que ela conseguia aguentar quando o seu médico decidiu aplicar-lhe um químico novo que era extraído de uma árvore chamada teixo-do-pacífico. A sua cura começou aqui. Suzanne refere num podcast que nos seus dias mais difíceis em que quase não conseguia andar, procurava sair de casa com os filhos e sentar-se ao lado das árvores mais antigas da floresta, sentia-se melhor, mais viva.

Porque amo a palavra natureza?

Eu amo esta palavra porque ela encerra tudo aquilo em que eu acredito e trabalho: em primeiro lugar o poder da auto-cura, a capacidade que temos de ao desenvolvermos as ferramentas certas cada um/a de nós puder nutrir-se e regenerar-se; em segundo lugar a descoberta da nossa própria natureza, a nossa essência. Por um lado apoiada na natureza genérica do ser humano, o nosso modus operandi (ir a favor da maré e não contra a corrente) e depois a nossa singularidade e individualidade – cada ser humano tem a sua própria essência,  a sua definição, quem é. É com base nisto que se encontra a verdadeira felicidade;  em terceiro e último lugar a simplicidade da vida. Andamos anos atrás de coisas com a sensação de que não TER poderá indicar não SER, quando na verdade é a natureza que nos dá tudo e é nas coisas simples que nos encontramos

Num dos momentos mais difíceis da minha vida pude observar que a natureza se mantinha indiferente à minha dor…e isso transmitiu-me paz, segurança…a sensação de que de facto, tudo ia ficar bem – eu ia ficar bem. A Suzanne cresceu numa floresta. Não será que a cura dela se deveu ao facto da sua própria natureza estar ligada com o poder das árvores pelo seu nascimento e desenvolvimento? Não terá ela própria criado uma simbiose com a floresta e ter recebido a internet das árvores, os seus nutrientes durante o seu desenvolvimento sendo portanto lógico que a sua cura viesse de uma árvore? E neste sentido, não haverão pessoas que possam curar-se ao som da água ou outros elementos? As minhas reflexões…

Este ano em que estamos mais “protegid@s” com as máscaras chegou-se a algumas conclusões preocupantes – estamos a perder defesas. O contacto com a natureza e os seus micróbios que mesmo pelo ar apanhamos, fazem falta, são precisos para o nosso sistema imunitário operar.

Levem as vossas crianças para a natureza. Coloquem os pés descalços na terra, rebolem, deitem-se, baixem a guarda e sejam simplesmente. Observem como é na natureza que nos regeneramos, que recarregamos baterias e que nos ouvimos…Sê quem nasceste para ser. Não tenhas medo de SER, de te conhecer, de experimentar…coleciona folhas, cheira, toca e sente. Pratica a LIBERDADE e estimula os sentidos!

Som@s feit@s das mesmas partículas que o universo, que a natureza…