Era uma vez, um pequeno grão de areia que vivia numa pequena casinha,
com umas pequenas estacas de bambu, num pequeno vale . Era tudo pequeno, tal como o grão de areia!
Certo dia, veio uma tempestade e a casinha do grão de areia desfez-se e o nosso herói, voou e voou para lugares nunca antes visitados. O nosso grão de areia, tinha um grande defeito, que nem ele conhecia! O corpo dele, era muito pegajoso e colava-se a tudo o que encontrava parecido com ele. Então, o pequeno grão de areia, era cada vez maior.
No planeta onde vivia este grão de areia, as tempestades começaram a ser cada vez mais graves e frequentes e ele, frágil e sem casa, apesar de cada vez maior, continuava a viajar de um lado para o outro, sem parar um segundo e de forma mais violenta. Este grão começou a arranhar o planeta onde vivia e se continuasse assim, não tenho dúvidas de que iria provocar uma explosão nuclear!!
Imagine que este grão de areia é um PENSAMENTO NEGATIVO. Imagine que ele anda à solta na sua mente, sem destino e que se agarra a tudo o que vê, ouve, sente, toca ou cheira que, tal como ele, seja negativo. Este pensamento (AKA grão de areia), fica cada vez maior e aumenta a sua frequência: aparece mais vezes por mês, depois mais vezes à semana e depois mais vezes ao dia. Quanto mais ele aparece, maior ele fica. De um mero pensamento negativo, a pessoa que o carrega acredita ser ela própria – negativa e só foca o negativo…entrando numa espiral, enredando-se cada vez mais.
Sem encontrar um fim à vista e sem perceber como voltar atrás ao “antes não era assim”, a pessoa com estes pensamentos negativos fulminantes e em catadupa, acaba por formar ideias acerca da morte. Da sua morte…
Os pensamentos negativos frequentes, conduzem a dificuldades ao nível da tomada de decisão e resolução de problemas. Não acham que quando estamos chateados/as o óbvio se esconde? Em espirais graves, as dificuldades avançam para perturbações de humor, clinicamente significativas e como necessidade de intervenção medicamentosa, para além de psicoterapia.
E se este grão de areia fosse de facto o seu pensamento negativo, como acabaria esta história?
Primeiro, desconstruir o grão de areia, isto é, limpá-lo de maneira a que ele seja novamente um só. Depois, construir-lhe uma casa de verdade! Com muros, portões e pilares de pedra, num terreno seguro e sólido.
Depois ter a certeza de que, sempre haverão tempestades, que irão abanar esta construção e por isso se fazem obras de manutenção – cada pensamento negativo tem direito ao tempo que eu lhe dedicar, o tempo que leva a tempestade a passar. Nada mais e nada menos.
A Psicóloga Lá de Casa.

