A minha história explica-me.
Tod@s temos uma história e eu tenho a minha. Por aqui vou partilhando partes. As partes que me permito a dar; as partes que creio fazerem sentido; as partes que me humanizam. Eu sou uma pessoa normal com uma profissão que poucos entendem e de que muitos falam (ou até dizem ser…).
Este mês de Novembro foi intenso, como já aqui referir. O que faltou referir foi o que apenas hoje tomei consciência mas que andou a marinar a semana toda…
Tenho estado muito ansiosa nas últimas semanas. Mais do que gostaria de admitir. Mudei de casa e não pensei que uma mudança física fosse tão emocional e desconcertante. Quando mudamos para melhor achamos sempre que será fácil e pouco ou nada nos alterará. A verdade é que trabalhar, fazer a mudança da forma que decidimos fazer – arrumando simultaneamente e mudando toda a organização de 8 anos, escolher as coisas da casa, resolver problemas funcionais e estruturais da nova casa, vender coisas da velha casa, desapegar, dar bens materiais…ao mesmo tempo eu dava consultas, analisava e preparava casos, ouvia queixas e resolvia situações…senti que perdi o foco. Perdi-me no meio disto tudo e, como digo aos meus clientes, valores mais altos se levantavam. Não havia tempo a perder. Tinha que tratar das casas – tinha deadlines e pessoas para atender.
Cometi o erro número 1 para tornar a ansiedade disfuncional e elevada – não parei para pensar. Como disse, não havia tempo a perder. Foquei-me no que podia controlar, não escrevi durante umas duas ou três semanas sobre como me sentia. Na verdade, inicialmente eu estava muito motivada mas à medida que o tempo passava comecei a ficar mesmo cansada. Fisicamente cansada. Com isto o pensamento negativo “tens que fazer” e “tens que ser tu” avançaram descontrolados. E eu dei-lhes ouvidos e voz e com isto veio a pressa e a pressão a mim mesma.
Rapidamente comecei a dormir mal e pouco…acordava cansada mas também não queria ficar na cama porque, algo me puxava para ir, fazer! A ansiedade. Continuei a treinar mas o meu corpo, como faz sempre, defendeu-se. Fechou-se, ficou preso. Bloqueei a anca não sei quantas vezes! O velho hábito de sobrevivência que tem que ver com a minha história. Os muros que eu construí para me defender…
No dia 8 de dezembro, finalmente me permiti a parar e escrever. Decidi deitar tudo para fora. Tentar abrir para ver o que saía. Porque tinha eu que ir? Porque tinha eu que fazer? Porque não me permito a parar? Como sempre alguns pensamentos fazem sentido e algumas destas coisas tinham que acontecer – as mudanças, arrumações e limpezas não se fazem sozinhas…e a verdade é que nem a pagar consegui ajuda.
Decisões foram tomadas e a ansiedade começa a reduzir. Não tenho que nada. Tenho só que ir fazendo com calma, com tempo e encontrar ajuda. A minha profissão é muito criativa e exige muito de mim, emocionalmente. Para a fazer tenho que estar bem, calma, serena e em paz com os meus pensamentos.
Posto isto, comecei a dormir bem a partir desse dia. Não, não é coincidência. Cometi o erro n.º 1. Mas tod@s cometemos erros…mesmo eu que sou psicóloga, que me conheço bem e que, de vez em quando, também me deixo para último.
Às vezes é importante errar para voltar a acertar e para subir mais um degrau na autoconsciência. E é assim, desta forma, leve e simples que coloquei a ansiedade na dose certa e que, me preparo para mais uma etapa – a etapa de me abrir, de destruir este muro velho sem sentido e de te mostrar mais um pouco deste meu bonito e tortuoso caminho.
A Psicóloga lá de casa.

