A alimentação humana existe com o objetivo de nutrir o organismo. Vejamos esta analogia: num jogo de computador podemos ser mort@s por causa do inimig@ ou também se ficarmos sem energia. A vantagem do jogo é que normalmente temos uma vida extra ou encontramos doses de energia pelo caminho e recarregamos! Na vida real, precisamos de alimentos que nos forneçam as matérias de que somos feit@s para que possamos assim, ter um desenvolvimento saudável – vitaminas, minerais, fontes de energia e proteína etc etc.
Ao longo do nosso desenvolvimento enquanto seres humanos, sem dúvida que a alimentação/nutrição passou a ter um carácter de alimentação/social. Comemos em processo de socialização – expressões como “Vamos tomar um café?” são habituais na nossa sociedade. Eu uso e nem sequer tomo café! Servem apenas como mote para um encontro em que se partilha uma bebida e/ou um petisco. Os almoços de família, de amig@s, os bolos de aniversário, os casamentos, as reuniões de negócios… Não faltam motivos e acontecimentos em que a comida é a ligação entre as pessoas. E é inegável que ela aconchega, aproxima… e a ela associamos bons momentos e emoções.
Esta associação entre as emoções e a comida é antiga e surge nas nossas vidas não só de geração para geração como também através da uma memória genética, como é o caso do cheiro a pão acabado de fazer – inebria o cérebro e abre o apetite. É também aqui que tudo se confunde:” Tenho mesmo fome? “Quem é maior, a fome ou a vontade de comer?” “ Quantas vezes passou na zona de restauração de um shopping e teve fome? Mesmo após ter acabado de jantar??
Os problemas surgem quando, a um estado emocional negativo, associamos a alimentação. Comer como forma de compensar um vazio emocional. Por fim, não só sentimos culpa como ainda por cima nada de nutricionalmente bom acrescentamos ao nosso corpo! A emoção negativa mantém-se e abrimos aqui um precedente. Significando que, futuramente, terei mais tendência a recorrer à comida sempre que me sentir em baixo.
E assim começamos a puxar o fio ao nosso novelo:
– Os sintomas depressivos constituem sim um fator de risco para a obesidade;
– A ansiedade e stress constituem sim um fator de risco para o obesidade;
– As emoções e alimentação têm sim uma relação íntima, de causa e efeito;
– A maior parte das dietas não têm resultados duradouros porque sim a parte emocional e psicológica não é contemplada!
A Fome emocional, não sendo uma doença ou uma perturbação, não deixa de se constituir importante. O que acontece é que, de cada vez que utilizo a comida como estratégia (des)adaptativa de redução de stress ou ansiedade, estou a frisar e exacerbar uma mensagem no cérebro: ” a comida fará com que eu sinta bem”; “só a comida me pode ajudar”; “comer para esquecer”…ou seja, entre recorrer à comida e recorrer a uma dose de heroína ou um copo de álcool, do ponto de vista psicológico, qual é a diferença?
A resposta é: nenhuma. Estamos igualmente a frisar um comportamento negativo que poderá tornar-se num vício, pela repetição do mesmo, e igualmente prejudicial e destrutivo no foro psicológico (fisiologicamente claro que a droga ou o álcool terão um maior impacto, porque efetivamente viciam mais rápido).
A solução é – ir ao cerne da questão – trabalhar as emoções negativas e fazer a distinção entre a Fome Emocional da Fome Física.
A Fome emocional é esta necessidade de doces ou comida em excesso mesmo após uma refeição normal e a Fome física é mesmo a ausência de alimento que provoca sintomas fisiológicos como dor de barriga ou cabeça, tonturas…a questão que deve colocar a si própri@ é: “Preciso mesmo disto para nutrir? ”
Tirando as pessoas com obesidade, que por consequências associadas à doença perdem a sensibilidade nos receptores de saciação, a maior parte de nós sabe perfeitamente quando é mesmo fome ou não.
Por último, em relação à saciação, há um atraso entre o que comemos e a mensagem de saciação no cérebro. Mas esta questão é tão complexa…fica para um outro artigo! Até porque já sabem, a mente tem a capacidade extraordinária de produzir, com o seu poder, sintomas fisiológicos, então eu posso ter a minha barriga a roncar, mesmo após ter comido um leitão, porque sei que há um chocolate muito jeitoso a piscar-me o olho há um ou dois dias…. 😉
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Como não atacar o Frigorífico?
A Psicóloga Lá de Casa.
NOTAS:
Alguns estudos indicam correlações diretas entre a Fome Emocional e as Perturbações do Comportamento Alimentar (PCA); associações entre a alimentação e a alexitimia (dificuldade em descrever emoções, sentimentos e sensações físicas); as PCA têm relação significativa entre o enviesamento do processamento da informação, isto é, as pessoas com PCA vêm a imagem corporal distorcida (e.g. na anorexia vêm-se sempre mais gordas do que a realidade); a Fome emocional não deve ser clinicamente desvalorizada. Pode ser o princípio de um problema ou um indício de um problema; as PCA conduzem a défices atencionais – a pessoa foca-se na alimentação e em estímulos deste carácter, como por exemplo, modelos magras/os, que atestam e validam os seus comportamentos desadequados. AS PCA devem ser devidamente acompanhadas e tratadas em clínicos/as vocacionad@s para o efeito: médic@ de clinica geral/ equivalente; nutricionist@; psicólog@, entre outros profissionais.

