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Esse olhar mata-me

Quando olho para os teus olhos vejo tudo o que não queria ver…nem imaginas como me magoas. Estou aqui, para ti, para te ajudar a transpor a barreira que criaste e que nem tu te dás mais conta.

Criaste-a como forma de proteção, mas com o tempo esqueceste-te disto e agora atacas, para te proteger.

Quando olhas para mim vejo a tua raiva, o ódio. Se pudesses ferias-me como um raio.

Se eu pudesse, mostrava-te o que eu vejo…uma pessoa carente, a precisar de afeto, uma pessoa que merece tanto e dá si própria tão pouco.

Queres tanto mas tanto odiar-te. A tua falta de afeto faz-te acreditar que tu não prestas, que nada do que tu possas fazer dará certo, tu és mediana, não tens nada de especial ou diferente que te destaque. E tu dizes-me isso! Como num grito surdo, dizes-me que não é para ti porque é demasiado difícil, dizes-me que não sabes o que escolher ou que perdeste capacidades, dizes-me que nasceste para ser infeliz. Não. O teu medo sim diz-te isso. Tu não és o que sentes, pensas ou fazes.

Quando olho para ti veja essa dor, esse sofrimento e queria abraçar-te, quero tirar-te daí, quero dar-te colo, mas nem isso me permites. Vens procurar-me, dizes que confias em mim mas ao mesmo tempo, esperas que eu te confirme que tu não tens solução. Por vezes sinto que me pedes isso secretamente. Que me pedes que faça como uma ou outra pessoa, talvez as que te colocaram nesse lugar, assim como tu própria, e te confirme as tuas suspeitas – tu não és suficiente.

Quando olhares para mim VÊ-ME. Esta sou eu. Eu sou amor, abraço, afeto. Nunca te vou deixar, nunca vou desistir de ti, nunca te abandono, farei sempre diferente daquilo que tanto pedes…mesmo que esse teu olhar me consuma a alma dar-te-ei o que tenho, o que precisas e o que mereces.

Quando te olhas vê os teus fantasmas e o purgatório onde te encontras…não tenhas mais medo de os enfrentar porque eu sei que, apesar desse olhar que me lanças procuras em mim a salvação.

Então pára de pedir e dá. Cede, verga-te, aceita o sofrimento como algo normal. Uma passagem.

O amor é assim, verdadeiro, humilde. E ele entra-te assim que te colocas à altura dele e te desarmas.

Esse vício que tens de seres má para contigo tem que acabar aqui. Entre o nosso olhar.

 

A Psicóloga lá de casa.