Ontem comecei a refletir sobre isto: estou entre. Estou em trânsito, em transição.
Como já referi aqui mudei de casa em novembro. Mas não é só da mudança estrutural de que falo, sinto que estou em mudança dentro de mim, nos meus gostos, nos meus desejos, em quem eu era e do que gostava e em quem sou agora e do que gosto. Nesta fase estou entre alguma coisa que ainda não existe.
Falo de linhas gerais claro, como por exemplo os meus gostos literários. Sempre gostei de romances. Depois comecei a gostar muito de romances históricos. Para mim, num livro tenho de aprender algo e tem de ser sobre pessoas, histórias de pessoas. Contudo no último ano, que foi o ano em que mais li, comecei a perceber algumas mudanças nos gostos literários. De trinta e tal livros há vários que gosto, que adorei, que me envolvi e diverti mas a maior parte tem sido só bom. E são muito variáveis. Sinto que já não gosto de romances, sinto que se ler um romance histórico não quero ler outro no espaço de muitos dias, sinto ” ah é só isto?”. E há outras coisas da minha vida que eu adorava fazer e agora não me apetece fazer, como viajar.
Esta fase em que me encontro não é uma má fase, gosto de estar aqui e da consciência que tenho de ser um processo contínuo enquanto pessoa. Não quero que isto passe rápido quero só observar (me). Se antigamente poderia ficar triste, zangada comigo mesma ouachar que eu tinha algum problema, hoje paro para olhar para este momento como bonito, como sinal de crescimento, sinal de que preciso também de experimentar outros cenários, contextos e ver outras coisas, preciso de me mover mas ao mesmo tempo estar.
Aceitar a mudança e que somos um processo contínuo é meio caminho andado para a tal leveza da vida de que tanto falo. Quando me dizem que têm medo do futuro, medo de voltar a sofrer, medo de não conseguir dar a volta por cima, medo de voltar aquele lugar que tanto tememos (seja ele depressão, ansiedade ou só simplesmente um dia mau) falo disto, nós não somos um objeto. Nunca estamos prontos para. Somos fluxo, movimento, continuidade assim como as coisas que vivemos são sempre diferentes. Nenhum traço numa folha é igual ao outro. Pode parecer igual mas nunca é até porque foram feitos em minutos ou segundos diferentes e um teve a intenção de ser semelhante ao outro.
Nós estamos sempre em mudança, tal como o tempo. Quando achas que estás parado é porque sentes que não estás a aproveitar ou a viver o momento de forma diferente, sentes que estás onde não queres mais estar, que esse sítio já não te diz nada. Sentes que precisas de ir, de crescer. Talvez aches que tu é que estás errado/a, mas não. Tu estás certo/a, só precisas de te aceitar…de te ver como eu te vejo, em movimento, em trânsito.
Chama-se a isto de maturidade. É só deixares-te guiar…
A Psicóloga lá de casa,
Joana Coelho.

