Nesta quarentena fala-se de tudo menos do elefante branco ao fundo da sala…as emoções.
As emoções e/ou o plano psicológico são sempre deixados para último lugar. Falamos de economia, emprego, educação e, claro, do covid. Mas ninguém fala da maior problemática do século XXI – a ansiedade: por sinal a ter o seu pico auge. Uma verdadeira pandemia, silenciosa, velada, que fingimos propositadamente não ver.
Acreditando que assim, ela irá desaparecer.
Estas afirmações são-vos familiares?
“A nossa vida parece viver-nos, possuir o seu próprio ímpeto bizarro de nos arrastar; no fim, sentimos que não temos qualquer opção ou controlo sobre ela.” (p.50)
“Talvez seja este o aspecto mais sombrio e perturbador da civilização moderna – a sua ignorância e repressão de quem realmente somos”. (p. 89)
“Sem contacto e desligados de nós próprios, ansiosos, inquietos e frequentemente paranoicos. Uma crise mínima rebenta o balão das estratégias atrás das quais nos escondemos.” P. 160
(do livro “O Livro Tibetano da Vida e da Morte, Rinpoche, 2002)
O medo do desconhecido cria monstros, limitações ou desculpas…a ausência de pontos de referência para nos ancorarmos conduz-nos à instabilidade emocional. Cresce em cada um/a de nós um Adamastor. Alimentando-se do nosso medo e ansiedade descontroladas, ele ganha poder e controlo sobre a nossa mente.
É aqui que muitos/as de nós se encontram. Perdidos, sem rotinas, sem ancoragem, acelerados/as, sem saberem o que será o dia de amanhã e, desejando que os dias passem rápido.
Os ataques de pânico aumentam, a ansiedade fervilha e é impossível manter um raciocínio, dormir ou orientar os menores.
Esta fragilidade encontro-a diariamente no meu trabalho. Em todas as idades. Curiosamente ou não, nos inconscientes menos trabalhados.
Verifico que as crianças estão ansiosas, com medo, sem conseguirem trabalhar, sem autonomia para o que lhes é pedido e/ou responsabilidade. Os progenitores estão em stress, não tarda em burnout. Para além dos problemas do mundo dos crescidos, têm que ser educadores/as, professores/as e, claro, por sinal, progenitores. E qual dos papéis fica prejudicado?
Vivemos numa roda vida de aceleração para algo que não sabemos o que é ou como resolver. E as emoções não são importantes. Assim como as competências transversais, que claramente carecemos! Não seria hora, visto que o ensino está condicionado, de valorizarmos a vida, as emoções e os laços ?
A Psicóloga lá de casa.

