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EMOÇÕES: Doença ou cura?

Nos último anos assisti a um boom do interesse das pessoas nas emoções. Em 1995, Daniel Goleman com o seu livro “Inteligência Emocional” torna viral a consciencialização de que a inteligência em sentido lato, não é preditiva de sucesso profissional. Há algo mais.
Aumentam os estudos e publicações sobre esta área o que, não é todo estranho se conceptualizarmos a sociedade atual, vácua, frívola, competitiva e cujas relações sociais parecem imbuir-se apenas de instrumentalização. De repente, emocionar-se é pecado. Sinónimo de fraqueza. E ser fraco/a não é permitido na nossa sociedade. A luta é entre os/as mais fortes, como na selva, e os/as mais fracos/as são, automaticamente colocados de parte, deixados para morrer às mãos dos seus/uas predadores/as…

Apaixonada pelas emoções e por este trabalho de literacia emocional, em que ensino a abraça-las e a aceitá-las como elas são: importantes, reguladoras e fundamentais para a sobrevivência da espécie, não poderia estar mais dentro do assunto. Também eu, um dia despertei para elas. Também eu quis controlá-las. E, também eu percebi, aquilo de que hoje falo : a obsessão pelo seu domínio.

Atentem nesta frase: “(…) as emoções são a principal preocupação, quase obsessiva, das pessoas no mundo moderno.” (Rinpoche, S., in O livro tibetano da vida e da morte, p. 459).

Temos esta capacidade de que quando vemos algo bom querermos tanto ter,controlar, dominar, que acabamos por destruir.

As emoções são reguladoras, existem como forma de equilíbrio do organismo. Não existem emoções más ou boas, existem sim, pensamentos por detrás dessas mesmas emoções que nos condicionam a interpretá-las como negativas. Não queremos sentir ansiedade porque isso nos faz sentir mal, ter acções ou comportamentos que não desejamos ter.

Então, o que fazer? Como me livro disto?

Aceitando-as. Sim eu sei que é aquela palavra da moda e do bla bla bla…e que parece não dizer nada. Mas é isso. É aceitar que ela existe e que nos vai fazer sentir mal, mas que ela passa. Assim como surge, desaparece.

Reside em nós todo o pensamento e a sua alteração. E é na base do pensamento que a psicoterapia trabalha. É aqui que há verdadeira mudança. E quando eliminamos as crenças e pensamentos negativos (mesmo os mais inconscientes), somos capazes de vermos as emoções como elas são e como meros/as observadores/as deixamos-las fazerem o o seu trabalho e irem-se embora.

Reflictam. Não tentem fazer disto, deste trabalho e desta aprendizagem que é a vida, uma obsessão. O mesmo que fazemos com o trabalho, dinheiro…e com tudo o que nos faz bem e mal. Porque é aqui que a doença começa. Não há cura nenhuma em querer eliminar emoções. Pelo contrário, há sim uma psicopatia velada que nos afasta da nossa essência, da nossa natureza.