No passado não era feliz. Mas julgo que na verdade não sabia…e ainda bem!
Se eu não sabia que não era feliz como sei hoje que não o era ?
- Procurava quantidade em detrimento de qualidade;
- Olhava para o meu exterior e vestia-o o melhor que sabia, mas esqueci-me (ou não quis ver) as verdadeiras vestes do meu espaço interior)
- Deixei de ler, estudar
- Deixei de procurar algo melhor para mim
- Deixei de dar cambalhotas
- Irritava-me facilmente.
Não era feliz mas também não posso dizer que era infeliz!
Mas a verdade é que deixei de ser fisica e mentalmente flexível. Com um corpo rígido também a mente enrijece. Acomodei-me demasiado ao que tinha e parei de MUDAR.
Felizmente a vida tinha outros planos para mim e eu para ela…no momento em que tudo se bifurcou e eu tive que decidir, embora com medo, dei um salto de fé. E deixei-me simplesmente levar pelo caminho mais assustador e diferente, aquele que oferecia a possibilidade de MUDANÇA.
E aqui estou eu. A fazer o que gosto e a SER quem gosto (à data de hoje).
Já aqui o disse e não é demais referir que onde me encontro é na natureza. É isso que eu busco. A simplicidade da vida à qual fui atribuindo símbolos de tranquilidade, paz, mudança e de abundância. Quando olho para a natureza percebo que tudo irá ficar bem porque a passividade e serenidade dela transmite-me confiança e segurança necessárias para enfrentar qualquer obstáculo ainda que, com medo.
E do que é que eu preciso para ser feliz?
De pouco do que se consegue comprar e de muito do que não se compra. Preciso de momentos. De tornar belo cada dia. De fazer especial o dia de alguém, de acordar com um sorriso porque estou viva e com saúde para mais um dia, de agradecer um símbolo, uma ideia ou um som.
Estive uns dias de férias. Custou-me a abrandar…o ritmo acelerado do dia a dia entranha-se. Mas quando consegui, dormi bastante. Dormi muito na verdade! Estive presente, procurei ter momentos de contemplação da natureza, nadei e passeei. Destas mini férias ressalvo no meu olhar um pássaro que me fez uma razia quando entrei numa zona de floresta. As arvores eram tão baixas que os pássaros voavam bem baixo e eu, elemento estranho ali, pude sentir-me pertença daquele lugar onde nada se alterou apesar de mim. Parecia uma cena de um filme, uma visita a uma imagem real, eu parecia um holograma. Eu não estava ali e a natureza continuou a fazer o que tinha a fazer…
Guardo também a passividade do mar sob o meu olhar atento e os pássaros que me brindaram diariamente com o seu canto. Sou muito grata por ter visto o fogo de artifício, algo que adoro desde criança e por ter andado de baloiço e sentado diversas vezes no chão (o meu elemento é mesmo a TERRA).
Li dois livros, mas vou falar aqui apenas do “A insustentável leveza do ser” de Milan Kundera. Nunca tinha lido este clássico da literatura. A insustentável leveza de simplesmente ser que parece que não aceitamos e que temos que fazer e ter…parece que queremos tornar o simples, complicado! Aborda os famosos “tem de ser” ou “é a vida” e, invariavelmente os fretes.
De facto a vida é tão pouco garantida que para quê perder tempo com momentos, lugares ou pessoas que não acrescentam valor à nossa passagem?
Sonho com uma vida simples, de verdadeiro desapego. Sei que estou no caminho…sei que sou muito mais livre hoje do que ontem e sei que serei mais livre amanhã, se assim quiser. Vou sem pressões, vou ao sabor do vento seguindo os pontos cardeais (*aka valores) que me guiam e conduzem. Vou, simplesmente.
Essa vida simples de que eu escrevo poderá ser utópica. Sei que precisamos de dinheiro até para essa vida simples! Sei que também preciso das consultas, preciso muito de trabalhar. Não só por dinheiro, mas por paixão, propósito. A minha prioridade é sempre as consultas. Não deixo a PsiqEvo por nada deste mundo – nesta data e neste dia penso assim. Não coloco aqui outro tipo de situações pessoais que possam ocorrer, equaciono aqui apenas a minha utilidade enquanto cidadã contributiva. De tudo o que eu faço – escrever, criar, dar formação…o que mais amo é mesmo dar consultas, guiar e traçar caminhos, ajudar e ver CRESCER. Ver as minhas palavras serem as nossas palavras, ver os meus clientes falarem a minha linguagem, a linguagem do universo.
Sonho com uma casa antiga remodelada, simples e pequena. Toda branca por dentro, com janelas grandes e muita luz natural. Com muito espaço livre para me sentar e andar descalça, com pequenos recantos, para ler, pintar, desenhar, ouvir música e contemplar o espaço exterior, igualmente belo e com natureza. Sonho com uma vida onde não tenha grandes pressões (*aka créditos) e que por isso possa trabalhar e viver igualmente sem pressões (para os pagar). Neste sonho estou vestida com as coisas mais confortáveis e até envelhecidas pelo tempo e com marcas de conforto. Roupas simples, sem marcas ou estampados gigantes de cores claras e bonitas como a vida. Concerteza estarei de sapatilhas!
Porque, voltando ao início, do que verdadeiramente o ser humano precisa para ser feliz é de SER. E ser, é o que menos temos investido mas é exatamente o que priorizávamos em crianças, livres, descomplicad@s e sem crenças negativas ou disfuncionais. E o que fazíamos em criança e nos dava tanto amor é precisamente aquilo que deviríamos fazer hoje. Sim, o trabalho é necessário…o dinheiro também. Mas por vezes tornamos isto um loop em que para TER precisamos de trabalhar mais e mais, com isto arrastamos pressões e fardos, para depois termos um bónus de comer compulsivamente ou de gastar exageradamente (ou treinar, beber, fumar…) para voltar à necessidade de trabalhar.
Que estranha forma de vida, concordo Amália. Mas não é por vontade de Deus que vives nessa ansiedade, mas porque não te ouves, não te permites e te enrolas como uma onda numa espiral de negatividade e pocuras no sítio errado onde te encontrares. Não é no outr@, ou nas coisas que te vais encontrar. Mas em ti mesma. Quando aceitares como és despida e te permitires a ouvires os teus maiores medos e a autocrítica ultrapassando-os, como se de uma barreira se tratassem, é aí, do outro lado que começas a crescer, libertando-te dos “tens de ser” ou “não nasci para ser feliz”.
Pegando nas palavras do Kundera (p.112) e criticando as mesmas:
Às vezes parece que é mais fácil encontrar conforto na dor do que lutar e ter esperança e mais uma vez fracassar. Se passasses a ver o fracasso como algo natural e inerente ao ser humano, tal como o sucesso, talvez aí, nesse local, ancorasses e fizesses acontecer…
*AKA – As known as (Conhecido como).
NOTA: Nem sempre nem nunca… Tudo na vida é um desenvolvimento, um processo. O que hoje escrevo é sobre este momento e este dia…sou um projeto em desenvolvimento…

