Skip links
Published on: Blog

Dahmer

Esta série é brutal. Sempre gostei da parte do comportamento desviante. Aliás, a área que mais me fascinava no curso era mesmo a Psicologia Criminal…o mal gera sempre um certo fascínio…mas vendo esta série foquei algumas coisas que já vou falando por aqui sobre a Psicologia Positiva e que, por este motivo, aconselho vivamente a ver.

Sem grande spoiler Jeff Dahmer é um serial killer. Matou vários homens, destruiu partes do corpo, teve relações com eles já mortos e comeu partes dos corpos.

À parte disso, Jeff Dahmer era um ser humano que fez coisas más. Será ele má pessoa? Será que a sociedade lhe falhou? Nasceu ele mau? Várias perguntas sem resposta mas, de acordo com os factos existentes, vemos um Jeff carente. Uma pessoa que não sabe amar, uma pessoa de quem ninguém cuidou, sem amigos próximos na escola e cujo afeto materno é duvidoso. O único interesse de Dahmer eram os animais mortos e a dissecação dos corpos. O Pai, que queria uma aproximação com este filho tão apático, usa esta área para criarem uma relação e estimula a aprendizagem da mesma. A mãe e o pai discurtem muito durante a infância dele acabando mesmo por se divorciar e ele vive muito esta mãe psicologicamente instável e um pai que está a maior parte do tempo fora de casa, a trabalhar. As coisas pioram quando os pais se separam e a mãe o abandona levando o filho mais novo. Dahmer fica 3 meses sozinho em casa, sendo mais tarde a escola a informar o Pai. pai que entretanto arranja uma nova mulher…

E assim cresce este jovem, sem saber o que é amar, cuidar, ter e dar afeto e com o trauma da perda. Ele é abandonado por todos…assim, quando começa a desenvolver atração sexual por homens, começa também a querer tê-los ao fim da força. O medo do abandono é tal que comete o primeiro crime. E por aí fora. Dahmer inicia um esquema para obter o que pretende. O problema de álcool que inicia quando é abandonado pelos pais vai acompanhando todo percurso dele e exacerbando as compulsões de obter mais corpos.

Quando é preso percebemos um pouco do lado dele. Várias vezes ele pediu ajuda, ainda que de forma velada. Mas sentiu sempre desprezo, rejeição. A mãe nunca mais o procurou e o pai acabou por colocá-lo na avó, que sempre o tratou bem mas que não apoiava a homossexualidade dele. Então ele vai escondendo este lado dele sabendo que seria rejeitado.

Dahmer refere na prisão que não tinha gosto em matar, que essa era a pior parte e que sedava as pessoas para que elas não sofressem. refere também que para dar vazão à sua compulsão – obter prazer nas partes de corpos, tentou usar pessoas mortas. Tudo indica, na minha visão, que o Dahmer não era um psicopata. Ele tinha total consciência do que fazia mas sentia remorsos, ao contrários da psicopatia.

Dahmer ainda se arrepende e acredita poder encontrar em Deus o abraço e o aconchego que nunca teve contudo…mais não digo. 🙂

isto dos spoilers é mesmo engraçado porque li que várias pessoas não conseguiam ver a série porque era muito chocante (o que despertou ainda mais a minha curiosidade – será que eu consigo ver?); uma cliente disse-me para ver e alertou-me ser bem macabro…mas a minha opinião é bem diferente. Eu vi um ser humano, perdido, confuso, em grande sofrimento sem saber o que fazer ou como ser para ser aceite. Jeff Dahmer nunca foi pertença de nada nem do seu próprio lar.

E é assim, nestas circunstâncias e não o desresponsabilizando, que nasce um assassino.

 

A Psicóloga lá de Casa.