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Como apreciar as coisas simples da vida?

Slow living, autoconhecimento, felicidade etérea, viver a vida, Carpe Diem, desapego, deixar ir, gratidão, etc. O que é que estas palavras têm em comum?

Têm o poder de estarem na moda e de serem gatilhos emocionais para quem não é feliz na sua pele e vê felicidade por todo o Instagram. Pessoas que garantem ter o dom de ajudarem alguém a ser feliz, que prometem mundos e fundos, cursos para atingir a iluminação e livros, muitos livros, sobre viver sem fardos e alguns até prometem ensinar a ficarmos ric@s!

Bem- vindos ao meu mundo, ao mundo do desenvolvimento pessoal.

Então, vamos lá começar por desmistificar isto tudo:

  1. A felicidade existe mas não é 24h/7 e muito menos é estar feliz (a rir e a saltar) o tempo todo;
  2. Todas estas palavras acima existem enquanto conceitos e algumas delas construtos, isto é, estão cientificamente testadas, validadas e é possível trabalhar as mesmas em cada um/a de nós (excelentes notícias!);
  3. Cuidado! Nem todas as pessoas têm o dom e conhecimento para de facto as trabalharem e nós e nem todos/as nós temos facilidade em as integráramos no nosso dia-a-dia – é o famoso DEPENDE;
  4. O facto de estarem na moda faz com que sejam abusadas e com que até me enervem por perceber que são utilizadas sem o verdadeiro sentido em que existem e da boca para fora (os teclas). Quem não está cansado/a do coração cheio ou do sou grata por?

Para de facto dar valor ao pouco, temos que perceber que a maior parte do que vemos é o que as pessoas querem mostrar e por norma, mostramos a parte boa…

Quando não sabemos bem quem somos ou não estamos felizes na nossa pele (ou temos dúvidas acerca disso) olhamos para @ outr@. Neste sentido tentamos “copiar” porque acreditamos que essas pessoas é que sabem. E aqui entra o mundo influencer. Ora são aquelas calças, ora é aquele hotel, ora é aquele desporto. E nós vamos atrás disso a achar que é isso que nos dará felicidade. Acabei de publicar umas fotos minhas dum workshop de aerial yoga que fiz há mais de um mês. Publiquei porque tem um sentido enorme para mim, fisico e psicológico. Tenho uma cifose, uma lordose e uma escoliose. Nada disto é grave e tudo isto condiciona a minha funcionalidade corporal. Fisioterapia, alongamentos, Pilates, yoga…são o meu prato do dia. Todos os dias treino, alongo e estico. Não posso perder o que já conquistei e não posso deixar de seguir em frente para melhorar a minha qualidade de vida. Mas a maior parte das pessoas viu umas fotos com poses-moda. Cá para mim vai ser das publicações com mais visualizações. Concerteza é das que recebi mais perguntas. Mas ninguém comentou o que aquilo é: aquilo é o meu caminho, o meu percurso tortuoso. O desenvolvimento pessoal é como as minhas costas, um caminho, um percurso, uma nova forma de ver a vida, mais real, verdadeira, ampla. Gosto de dizer que é esse o meu trabalho – ensinar a verdade.

Quando vamos atrás d@ outr@ para nos descobrirmos a nós mesm@s rapidamente encontramos  desilusão e frustração.

“Afinal não é isto?! Ah espera deve ser, mas para mim não funciona…Porque comigo não funciona? Porque não me sinto assim? Porque sou diferente? Para mim não há felicidade…Eu não nasci para ser feliz. As outras pessoas são mais felizes do que eu, eu nasci para sofrer…”

E desiste-se. E o conforto da vitimização agarra-nos e seduz-nos para um lugar escuro de onde não queremos mais sair. Com medo de falhar, deixamos de tentar. Mas ao desistir falhamos mesmo e os nossos maiores medos começam a tornar-se reais – “Não existe felicidade para mim!”

Existe claro, mas leva tempo e trabalho, treino diário para não perder os pequenos ganhos e continuar a “esticar e alargar”. E a maior parte de nós quer tudo rápido. Rápido e bem há pouco quem!

Temos que procurar conhecer quem somos antes de olhar para @ outr@. O que serve ao outr@ não me serve a mim. É nesta descoberta que percebemos que podemos baixar aquelas expectativas que nos causam pressão e diferença perante o outr@. Expectativas do tipo: aos x anos tenho que ter isto; ao x anos casar; aos x anos ter um filho; etc etc…estas expectativas com números associados causam pressão, tristeza, frustração (porque não conseguimos controlar estas concretizações) e fazem com que, olhemos para trás e tenhamos a noção de que não sabemos quem somos e temos medo de saber. Alguns de nós mencionam as coisas que têm (como se o Ter nos definisse ou desse felicidade) e outr@s, nem têm para mencionar! Já viram que triste? Olhar para trás e perceber que desperdiçamos a nossa juventude atrás de TER, de  acumular, trabalho, trabalho, gastar, gastar (mal gasto…), para chegarmos a um ponto que o mais importante não existe – não gostamos de quem somos ou da vida que levamos.

Então, apreciar as coisas boas da vida passa por baixar as expectativas, torná-las reais e adequadas, exequíveis. Termos a noção de que o TER não diz nada sobre nós, não nos define mas que o SER é tudo, que não temos que seguir pressões sociais e, principalmente, estarmos felizes com as nossas escolhas. A vida é feita delas…

Que a diferença seja condecorada e que cada um/a de nós possa simplesmente SER. Porque é aqui que tudo se transforma. Adios!

A Psicóloga lá de Casa.