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Bragança: berço da natureza

Fui a Bragança pela primeira vez há mais de dez anos. Na altura não imaginava que esta terra me diria tanto. Que seria aqui que faria raízes, que seria aqui que me encontraria.

Bragança conta a nossa história: o contrabando, os fornos de cal, onde os povos portugueses se misturam com os espanhóis, os caretos, os famosos enchidos e as casulas, o pão transmontano, a fauna e a flora – a natureza!!!

Escrever sobre Bragança é difícil, há muito para ver, fazer e saber. Mas farei o melhor que posso, para lhe dar a conhecer o essencial e deixar a semente. Vamos lá?

Chegar a Bragança é hoje mais fácil graças às autoestradas e ao túnel do Marão. Não existe linha férrea mas é possível utilizar o autocarro, a partir de Felgueiras e também do Porto (recorrendo a ligação com Vila Real).

De Felgueiras a Bragança são 184 km.

Do Porto representam 211 km pela A4.

De Lisboa são 486 km.

 

O que ver?

Em Bragança é obrigatória a visita ao castelo assim como a zona envolvente muralhada com uma paisagem lindíssima para a cidade. O castelo é também museu militar e vale a pena uma visita. No centro da cidade existem diversas igrejas sendo que é na Sé que se concentra a vida citadina. Na altura do verão é feita aqui uma pequena feirinha de produtos típicos aos sábados de manhã. A feira municipal realiza-se à sexta de manhã e é uma excelente mostra da expressão deste povo, dos seus produtos e da sua simplicidade. Vale muito a pena.

 

Onde dormir?

Existem muitas ofertas turísticas, nomeadamente ao nível do turismo rural e de habitação. Como tenho casa em Bragança 🙂 apenas conheço o Hotel São Lázaro, que recomendo! Confortável, pequeno almoço variado e com produtos regionais, quarto amplo e preço simpático. Aliás, o alojamento em Bragança é bem mais barato do que noutros pontos do país.

Deixo aqui mais opções:

Hotéis:

Hotel Ibis Bragança

 

O que ver?

Pousada de São Bartolomeu este aqui tem um restaurante com uma estrela michelin.

Turismo Rural/Habitação:

D. Roberto

Mais alojamentos

 

O que fazer?

Há imensas atividades em Bragança, principalmente no Parque Natural de Montesinho. Desde observação de pássaros, a atividades nos rios, percursos pedestres, visita a monumentos e ruínas…dependendo dos gostos de cada pessoa. Porém o mais fascinante mesmo, é ter a oportunidade de sentir as aldeias. Visitar, perder-se pelos montes, partir à descoberta de pequenas ribeiras, parques de merendas, observar a fauna e a flora, contactar com as populações…absorver a calma e quietude.

Ao clicarem na ligação acima, têm acesso a ínumeras ideias.

 

Aldeias de paragem obrigatória:

Gimonde – duas pontes romanas; paisagem de montanha e onde se situa o restaurante O Abel.
Montesinho – o centro do parque natural de montesinho, aldeia belíssima e super bem preservada.
Varje – fica a caminho da conhecida Rio de Onor e tem um moinho, uma forja e também zona de percursos pedestres.
Fontes de Transbaceiro – aldeia de castanheiros ( a minha aldeia).
Moimenta – Calçada Romana.
Castro de Avelãs – mosteiro de origem romana.
Rio de Onor – aldeia comunitária, a mais conhecida e também a mais turística. Vale a pena percorrer e visitar o forno comunitário e a horta comunitária e perceber como ainda hoje do pouco se faz muito. Ao lado é possível visitar a Rio de Onor espanhola. Na realidade os dois povos vivem praticamente como se fossem um só.

Quintanilha – uma aldeia que faz fronteira com Espanha e de muitas histórias de contrabando na época do Salazarismo. Para além disso, é digna de uma beleza incomparável, merece uma visita e uma observação atenta pela excelente preservação.

 

Onde comer?

Comer em Bragança faz parte das experiências fantásticas que podemos obter desta terra. Comida simples, com legumes e produtos da terra demonstrando como @s transmontan@s cuidam bem dos seus recursos.É também bastante barato e frequentemente, observamos que as pessoas querem é que tenhamos a melhor experiência gastronómica possível não olhando às quantidades (exageradas) para um preço tão baixo.

Para mim os dois melhores restaurantes de Bragança: O Abel e o Careto. Há muitos restaurantes conhecidos por experimentar mas, apesar de estar lá várias vezes ao ano e pelo menos uma semana em agosto, gostamos tanto desses dois que temo dificuldade em experimentar outros.

 

O que comprar?

Mel de Montesinho
Casulas
Frutos secos (amêndoa e noz)
Legumes de época
Carne
Pão Transmontano
Queijo Transmontano
Enchidos Transmontanos

 

Curiosidades

Em Roma sê roman@ e em Bragança conduz-se lentamente. Esta é também a beleza da terra e um dos motivos pelos quais tanto a aprecio, aqui ancoramos, aprendemos a desacelerar. Igualmente verificamos estacionamento fácil em todo o lado, apesar de ser uma capital de distrito. Aqui o tempo parou e automaticamente sentimos que temos mais tempo.

 

O meu amor por Bragança

Gosto de terminar os meus textos como os começo. De uma relação de amor entrei em Bragança e do amor criei, transformei e disseminei mais amor. Estas paisagens captaram o meu olhar à primeira vista: do nada encheram-me de tudo, o que os olhos chamou o coração prendeu.  É aqui que o meu olhar se perde numa natureza sem fim, uma abundância silenciosa que clama pelos sentidos exaltando-os e fazendo o espírito vibrar: as cores, os sons, os cheiros, os animais que tive e tenho a oportunidade de encontrar casualmente, as árvores, as ruínas de uma era mais populosa, os rios e riachos e as pessoas tão simples e humildes que nos ensinam sem nada dizerem que do nada podemos fazer tudo e que de pouco precisamos para viver a não ser do nosso próprio pensamento. Porque é no pensamento que toda a ideia nasce e é nela que é feita a diferença entre o viver e o sobreviver, entre o estar presente e o deambular, entre o Nós e o EU. Foi aqui que me encontrei.

Cimentando este amor maior decidi fazer aqui a minha tese de mestrado e é aqui que tenho passado longos períodos de reflexão e principalmente de contemplação. A beleza e a essência da vida encerram-se na natureza. É no silêncio que nos encontramos e é aqui que busco ancoragem. A natureza inerte ao sofrimento humano declara num poema mudo que tudo é mutável, tudo se altera e por isso o amanhã é sempre melhor que o hoje.

Uma noite em Bragança é o meu combustível para mais uns meses de trabalho. Aquele céu limpo de verão coberto por um manto cintilante de estrelas, coloca-nos a pensar em como somos tão pequen@s mas também em como somos pertença, fazemos parte deste mundo e não estamos aqui para o explorar. Somos feit@s da mesma matéria que ele e por isso quando o magoa-mos, magoamo-nos igualmente.

Muito mais irei escrever e dizer ainda que as palavras não façam jus ao que sinto quando lá estou, una na natureza.

 

Vejam este vídeo fantástico: