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Ataque de pânico – uma expressão de ansiedade

Fruto da situação adversa em que nos encontramos, várias são as pessoas que têm tido episódios de ataque de pânico.

O medo de estar infetado, de morrer, de perder o emprego,…são alguns exemplos dos pensamentos que podem estar na base das suas preocupações neste momento.

Para falar sobre um ataque de pânico, temos que falar de ansiedade. É que o ataque de pânico é a sua expressão máxima.

Então vamos lá perceber como isto funciona!

O stress é uma resposta a um estímulo externo, facilmente identificável. A Ansiedade é uma resposta a um estímulo interno. Apesar de neste momento o ataque de pânico puder ser uma resposta a um estímulo externo – corona vírus – e assim ser associado a stress, simultaneamente ele surge por preocupações internas – pensamentos , por vezes até inconscientes, que o despoletam; pensamentos que muitas vezes não conseguimos identificar e que podem vir de resíduos tóxicos antigos. Isto indica que, a pessoa que é vítima do ataque de pânico é, à priori, alguém com ansiedade moderada. O ataque de pânico será o apogeu dessa emoção negativa instável (não resolvida anteriormente).

Na mesma linha de pensamento, o risco de ter um ataque de pânico é maior se a mesma pessoa já o teve no passado. Vamos imaginar o seguinte cenário, quando viajamos para um lugar pela primeira vez, tudo é novo e demoramos a encontrar o caminho mas quando voltamos lá pela segunda vez, rapidamente chegamos ao destino. Com o ataque de pânico é a mesma coisa. Se alguém já teve episódios de pânico antes, mais facilmente voltará a tê-los, porque o corpo reconhece o caminho e rapidamente ativa aquelas sensações físicas, emocionais e fisiológicas.

Contudo, isto só acontece se o interior (dimensão psicológica) da pessoa não estiver devidamente fortalecido, trabalhado OU no caso de situações altamente traumáticas.

Se os pensamentos que estão na base desta instabilidade, tiverem sido antes transformados, reestruturados, a pessoa terá à priori ancoragem para lidar com a adversidade e encontrar pontos de referência que lhe permitam agir e controlar a resposta do organismo (excetuando aqui as situações traumáticas).

Isto indica que se já teve um ataque de pânico saberá identificá-lo:  desorientação, dificuldade de concentração, dores físicas inexplicáveis, insónias, sensação de medo frequente, irritabilidade fácil, tonturas, dificuldades em engolir e/ou respirar…

Se nunca teve, observe-se. Pense em como se tem sentido e o que tem pensado sobre o que está a viver. O corpo dá sempre sinais.

O que devemos fazer ?

Prevenir. Procurar ajuda, conhecer-se e ventilar. A psicologia é a única área profissional habilitada à realização da reestruturação cognitiva – fundamental para trabalhar a base da ansiedade ou stress (embora possa em algumas situações socorrer-se de ajuda psiquiátrica para o controlo medicamentoso).*

No caso de já ter tido o episódio, mantém-se a observação anterior: procure trabalhar os pensamentos que estão na base desta instabilidade, procure reestruturá-los. E neste caso, nada melhor do que uma sessão de psicoterapia.

O que fazer quando estiver a ter um ataque de pânico?

Neste momento vai pensar que vai morrer, que está a ter um ataque e/ou que não consegue respirar. Então pense claramente que é apenas um ataque de pânico e que é fruto da sua mente. Que nada irá acontecer e que irá respirar se se acalmar. Na posição de sentado, deite a cabeça no meio das pernas e respire. Nesta posição, os canais respiratórios abrem mais facilitando o retorno à calma. Posteriormente, procure ajuda médica.

(Barlow, 2002; Andrews et al, 2003; Vaz Serra, 2005)

* Há outros/as profissionais habilitados à prática da reestruturação cognitiva como é o caso de alguns psiquiatras com formação em psicoterapia.

A Psicóloga lá de Casa.