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Ashtanga

Yoga foi amor à primeira prática! Logo na primeira aula senti algo, senti que me encontrei. Mas aquilo que a minha cidade me oferece já não me satisfazia e em 2022 tinha a intenção de procurar algo fora ou diferente. Uma série de coincidências levou-me ao Asthanga em Agosto. Como nas maiores coisas da minha vida, aconteceu de repente e sem pensar muito.

Do workshop às aulas foi um segundo. Na base do “Porque não?”, com reticências mas a querer arriscar. Nunca treino nas férias e como ia de férias passados uns dias o melhor seria adiar para setembro mas, eu conheço-nos, seres humanos…isso de adiar para uma altura mais propícia pode dar errado. Um erro do tipo nunca acontecer.

E este artigo é sobre sair da zona de conforto e do sofrimento implícito, mas também é sobre o que se ganha quando se insiste em estar no desconforto…

  • Treinar em jejum: Prometi a mim mesma que ia tentar e isso implicava rebater a crença de que me iria dar o badagaio. Tomei a liberdade de tomar um chá na 1.ª aula, só para acalmar o coração e aquietar a mente. Resultado suei, o coração batia a 1000 e pensei que ia disparar pelo quarto! Arrependi-me N vezes: “Porque me meti nisto?” Estava tão bem.” Qual sair da zona de conforto, não preciso disto na minha vida..”

 

  •  Lidar com a prática em si e a sua dificuldade. Todo o percurso mas principalmente o início, os suryas custavam muito, suava muito, tremia…era desconcertante. Dava por mim a contar e a desejar que eles acabassem rápido…então pensei:” Se quero que acabe rápido então é porque não estou a gostar. Mas ninguém me obrigou, foi uma escolha estar aqui então vou tentar esvaziar a mente e sentir cada pequeno movimento que compõem o Asana.” Apliquei os anos de treino em mindfulness e funcionou!

Passadas 3 semanas de prática, os desconfortos já eram bem menores. A minha mente já tinha percebido que era possível. Era para mim.

Depois de 10 dias sem praticar regresso mais gorda emocionalmente! Começou tudo de novo com a dificuldade acrescida do inchaço físico, o peso da luxúria e o sentimento de culpa além dos” devias e não devias “do costume… cheguei a estabelecer um prazo de desistência!

Entretanto comecei a ser convidada para as aulas guiadas! Gostei tanto! Ir ao Manta praticar deu-me um sentido, pertença, abertura. Nesta altura já experienciava enormes melhorias físicas, maior abertura, menos rigidez e dores. O meu joelho direito, que sempre será um problema, nunca me doeu. Leveza e juventude irradiavam-me. Até outubro estive no meu melhor, embora nunca tenha tido uma aula sem o peso do “não me apetece”, de onde excluo as guiadas.  Felizmente os pensamentos contrários são mais fortes e termino sempre com a certeza de estar no sítio certo. E é essa certeza, a consequência de permanecer e insistir, que me faz querer voltar a cada dia.

Novembro… comecei a ter muitas dores e inclusive comecei a ter bloqueios na anca direita e rigidez. Voltou a retenção de líquidos. Todos os anos no inverno sofro muito…é algo que supostamente é SÓ retenção mas que ainda está em estudo. Era duro e difícil praticar, custava-me muito, doía-me imenso e não queria parar mas percebia que por causa das dores estava a perder posturas já adquiridas. Frustração.

Hoje, final de fevereiro e numas semanas de frio intenso, estou a ficar melhor. Finalmente. Estou a sentir-me como em outubro. Depende de mim.

Continua a ser difícil praticar sozinha…continuo a pensar “porque é que a net não vai abaixo” quando o João diz: “Repete outra vez que eu não vi” ou “Faz de novo para consolidar” 🙂  Mas eu sei que ele tem razão e sigo-o religiosamente. Se não fosse isso nem metade faria e a verdade é que a coisa vai…vai sempre mais do que aquilo que eu consideraria possível.

São as dores do crescimento…as físicas, as mentais, os constantes “ui não sei se consigo” e os consequentes ” Já agarro!”. Se podia ser mais rápido? Sim e eu gostava. Mas cada corpo é um corpo e é preciso acima de tudo respeitá-lo e respeitar o tempo que as coisas levam. Se eu pensei estar aqui quando comecei? Não. Se eu me vejo a terminar a série? Hoje sim. Se eu imaginava treinar em jejum? Nunca! E hoje treino. Ou melhor pratico. Porque o Asthanga não é um treino, é uma prática. É uma conexão. É estar presente.

A maior aprendizagem neste processo é que nada é impossível e o mais importante é SABER não pensar muito. Não dar muito espaço à mente para ela dispersar, para ceder aos pensamentos negativos…porque quando lhes damos atenção eles crescem e como no provérbio chinês, eles fazem ninhos na nossa cabeça. Ou nós.

E estes ensinamentos saem do tapete consolidando a pessoa que eu sou, a vida que pratico.

Queria sair da zona de conforto, coloquei isso como objetivo para 2022. Como sempre não escrevi desta forma, mas foi desta forma que o universo me deu. E o Asthanga é sem dúvida a minha maior aventura até agora…

 

A Psicóloga Lá de Casa,

a crescer.