A Alimentação influencia o estado emocional e vice-versa. Quando alguém não consegue seguir uma dieta ou plano nutricional, os motivos prendem-se, em larga medida, com fatores emocionais/psicológicos, nomeadamente:
- Dificuldades na adaptação Ou resistência à mudança;
- Estabelecimento de espectativas muito altas; (ex. necessidade de observar mudanças físicas rápidas);
- Dificuldade do plano/ muito restritivo;
- Ansiedade ou stress associados, prévios ao plano ou após o plano – medo de falhar.
Para que qualquer plano ou dieta funcionem é importante responder a esta simples questão:
- Porque quero perder ou ganhar peso?
Acredito que todas as pessoas me irão dizer que é por motivos de saúde. Mas faça a pergunta de si para si, seja sincero@ e se a resposta se prender com fatores de natureza social, pressão social…
E se eu lhe disser que para perder ou ganhar peso pode desenvolver um problema de saúde psicológico frisando algo já existente, acha que vale a pena?
A linha que separa o que é saudável do que é doença é realmente ténue. E mesmo quando fazemos uma alimentação saudável podemos, do ponto de vista psicológico, não o ser. E isso não é menos importante do que a saúde física.
Outra consideração importante é que a componente psicológica pode não permitir a perda ou ganho de peso, porque interfere com todo o sistema físico e hormonal. A pessoa pode não comer assim tanto que justifique, por exemplo, o aumento de peso…há muitas coisas em jogo. Muitas mesmo…
Outra questão importante que deve responder:
2. Porque não consigo manter um plano alimentar ou dieta?
Voltando à influência que as emoções têm na alimentação, e/ou por conseguinte, no comportamento alimental, quando comemos por fome emocional e não por fome física, criamos uma mensagem. Estamos a utilizar a comida para reduzir emoções negativas e portanto trata-se de uma estratégia de coping desadequada. Não comer de forma emocional. Pelo contrário, a comida une-nos à mesa, dá calor, carinho e conforto. E isso não nos deve ser retirado. O problema é usarmos a comida como forma frequente de redução de emoções negativas, acoplando, após a ingestão de alimentos, a CULPA.
Isto conduz a um estado de ansiedade, tristeza, às vezes de desespero e de dor auto infligida que poderá conduzir a perturbações do comportamento alimentar. Ou, numa situação não menos grave a instabilidade emocional pautada pelo humor lábil, dificuldades relacionais, estados emocionais depreciativos, a uma auto imagem negativa que condiciona as nossas reações e comportamentos noutras situações do dia-a-dia – uma espiral de negatividade onde nos afundamos mais e mais…
Por isso, temos que mudar a forma como estamos a ver a comida. Precisamos de trabalhar os pensamentos e crenças associados a esta temática. Urge abrir a mente e ajudarmos a pessoa a criar raízes, âncoras que lhe permitam entender que as mudanças levam tempo e que as espectativas devem ser medidas à lupa e definidas de acordo com as nossas características intraindividuais.
A alimentação saudável por si só, sem planos nem espectativas, é fundamental para a estabilidade emocional e por isso eu priorizo sempre a mesma, porque não é só parte psicológica que um/a psicólogo/a deve auspiciar num/a cliente, mas um todo, onde vamos do topo à base, trabalhamos do mais simples ou do hoje ao mais complexo ou ontem.
Para este natal e para sempre, sê responsável pelos teus atos. Fá-lo sem culpas ou restrições. Fá-lo para que estejas bem com aquilo que é o natal e a comida de conforto. Mas fá-lo em consciência. Sabendo que há pessoas que não têm o que comer, que a alimentação é um bem precisoso e priorize a sustentabilidade nas nossas escolhas. Não faça comida para 30 pessoas quando só lá vão estar 10…
O que podemos fazer para sair deste padrão de associar estados emocionais a alimentação e vice-versa?
– procurar outras estratégias de coping para além de comer – relaxar, meditar, fazer desporto ou caminhar, ler, pintar…alargar o leque de escolhas (tal como fazemos na alimentação).
– trabalhar o pensamento, ir ao cerne do problema, alterar a forma como estamos a ver a alimentação.
Bibliografia aconselhada: Vaz, R.; Conceição, E. & Machado, P. (2009). A abordagem cognitivo- comportamental no tratamento das perturbações do comportamento alimentar. Análise psicológica, 2, 189 -197.
Deepak, C. & Tanzi, R. (2018). O Supercérebro, Self.

