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Alimenta as emoções

A influência da regulação emocional na alimentação não é um tema novo por cá nem na minha prática clínica ou formativa. Que as emoções influenciam a nossa alimentação já muito se tem escrito e abordado. Mas hoje vamos falar de que forma a nossa alimentação influencia os estados emocionais e porque é que eu, sendo psicóloga, abordo esta temática na minha prática.

 

 A primeira ideia a reter é que muitas hormonas são produzidas, na sua maior quantidade, no intestino.

 

A segunda, é que há duas hormonas fulcrais para a estabilidade emocional: o cortisol e a serotonina.

 

O cortisol é a hormona do stress. Quando o cérebro recebe a mensagem (através de estímulos internos (memória) ou externos (acontecimento) de que a pessoa se encontra em perigo esta hormona é libertada pelas glândulas-supra renais em grande quantidade. De repente, todo o nosso corpo se prepara para a defesa ou ataque de uma situação ameaçadora (real ou imaginária): as pupilas dilatam; o batimento cardíaco acelera; os brônquios expandem para haver maior absorção de oxigénio; a temperatura corporal pode aumentar ou diminuir…o corpo fica em estado de alerta.

 

Independentemente de ser um perigo real ou imaginário, esta hormona é libertada. Quando, por circunstâncias da vida (micro ou macro stressores) o corpo é convidado a preparar-se para um perigo várias vezes ao dia e/ou durante um período grande de tempo, o cortisol é constantemente libertado. Esta libertação frequente ou excessiva, para além de viciar o esquema retroativo natural (imaginem um botão que está sempre a ser carregado) faz com que as restantes estruturas corporais entrem em desequilíbrio. Entre outras coisas, o cortisol promove a inflamação intestinal – onde é produzida a serotonina.

 

Vamos por partes.

 

A inflamação intestinal é “uma barreira no intestino” que interfere com a digestibilidade dos nutrientes. Isto faz com que a pessoa sinta imenso desconforto abdominal, podendo ter gases, inchaço, má disposição, enjoos e ANSIEDADE, entre outros.

 

A serotonina é a hormona da felicidade. Quando está em prejuízo, conduz a estados emocionais negativos, como a depressão. Cerca de 90% da serotonina é produzida no intestino. Isto significa que um intestino a funcionar mal é um sinal de falta de serotonina em défice.

 

Ora, o cortisol corrompe o sistema imunitário, aumenta o risco de probabilidade de doenças crónicas e está relacionado com a inflamação intestinal e, por outro lado, a inflamação intestinal, por sua vez conduz ao aumento de ansiedade e depressão. A ansiedade e a depressão conduzem à maior suscetibilidade a stressores o que conduz a…e por aí fora.

 

Vejam este esquema exemplificativo:

 

Exemplificação gráfica da ligação entre os estados emocionais e os intestinos.

 

 

Efetivamente em consulta, nem sempre sabemos quem nasceu primeiro. Se as emoções, se a inflamação. Na minha perspetiva clínica não faz parte do meu papel entrar na questão alimentar e/ou intestinal (nem pretendo fazê-lo, cada macaco/a no seu galho), contudo, faz parte do meu papel enquanto agente de saúde alertar e trabalhar a predisposição e abertura para a manutenção de uma alimentação saudável, assim como incentivar à prática de exercício físico. São igualmente duas boas formas de prevenção primária.

 

As pessoas que sofrem de inflamação intestinal têm um risco de 41% de desenvolverem a depressão.

 

Por último, imaginando que a pessoa não tem depressão, stress ou ansiedade, como prevenir a inflamação intestinal? Álcool, bebidas açucaradas, farinhas refinas e gorduras saturadas.

 

Não à restrição e sim à consciencialização. Imaginem que o vosso corpo é um templo sagrado, permitiriam que entrasse qualquer pessoa? Que alimentos permitem que vos nutram?

 

Bibliografia de apoio: Vaz Serra, A (2005). O stress na vida de todos os dias; Estapé, M. (2019). Como fazer para acontecerem coisas boas, Planeta.