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Adult@: conceito, características e causa

(Há um menino que eu acompanho que frequentemente se queixa de nós – adultos/as. As queixas que nos aponta são muito próximas das que eu já evidencio por aqui e que me movem nesta minha missão de normalizar a psicologia…

Eu e ele brincamos muito com isto de ser adult@ e da perda de tudo e do desejo de nada que parece instigar-nos. Queremos ser felizes mas ao mesmo tempo fugimos da felicidade. Daí o tema de hoje! Espero que ele nunca se esqueça destas conversas e não venha a tornar-se quem hoje critica 🙂 )

NOTA: Este artigo é uma brincadeira e uma forma leve de levantar assuntos sérios e de grande reflexão.)

 

O que é que é isto de ser adulto/a ?

Para ele um/a adulto/a é uma pessoa sem piada, com a mente fechada e sem criatividade.

De acordo com o último DSM (Diário Social Mundial*) as últimas investigações (realizadas por mim) um adulto/a é um ser vivo que se superidentificou com uma máquina e assumiu as características da mesma, perdendo assim a VIDA que até então o caracterizava. Caracteriza-se essencialmente por uma perturbação generaliza (que afeta todas as áreas em que se move) regendo-se por 4 pontos cardeais: a superprodução, a acumulação, exaustão e repetição.

As características mais frequentes desta problemática AKA adulto/a são: um esquecimento (in)consciente de quem foi e um olhar vazio ou disperso, focado no exterior.

Critérios de diagnóstico:

A. Devem estar presentes 2 ou mais dos seguintes sintomas:

  1. Prejuízo da visão alargada: em casos mais severos poderá mesmo verificar-se uma cegueira;
  2. Declínio cognitivo, com enfoque na memória passada, na atenção e concentração;
  3. Défice motor: observa-se marcadamente dificuldades em sentar ou deitar em qualquer lugar, em rebolar e andar descalço. Assim como, alguns adult@s referem dificuldades em controlar o corpo;
  4. Andar frequentemente apressad@;
  5. Discurso acelerado ou dificuldades em comunicar (dificuldade em ser assertiv@);
  6. Pensamentos (recorrentes e ruminantes) destrutivos de comparação com o/a outro/a e uma sensação de que nada é suficientemente válido;
  7. Incapacidade de apreciar as pequenas coisas da vida;
  8. Repressão emocional ou hipersensibilidade emocional (choro fácil, irritabilidade).
  9. Atribuições causais a artes mágicas, artefactos ou elementos extrínsecos (velhice, a vida é assim, não nasci para ser feliz) e resistência à mudança.

B. Esta perturbação manifesta-se por um período de mais de 2 meses, verificando-se prejuízo numa ou mais áreas de funcionamento, profissional, pessoal e interpessoal;

C. Os sinais de perturbação não se devem a intoxicação por substâncias ou abuso de álcool assim como não se referem a situações momentâneas mas prolongadas no tempo;

D. Excluem-se aqui as perturbações do desenvolvimento ou outro tipo de situações genéticas;

E. Acresce o tipo maníaco e/ou depressivo: episódios maníacos que se caracterizam por, psicose momentânea em situações em que não há nada para fazer. Estes sujeitos descrevem ouvir vozes que @s impulsionam a inventar tarefas sem utilidade e inócuas. por seu lado, nos episódios depressivos descrevem-se situações de tristeza profunda e sem vontade de viver.

Prevalência

Esta problemática afeta pessoas a partir dos 30 anos mas, os últimos estudos apontam que a prevalência tem vindo a aumentar na faixa etária dos 20. O género feminino tem sido mais afetado contudo, os dados poderão estar enviesados em virtude do género masculino procurar menos a saúde.

Causas

Em termos de causas, a principal é a desvalorização do investimento interior e a frequente comparação com os/as pares. As más companhias também reforçam este quadro.

O tratamento passa por uma consciencialização da problemática e subsequente intervenção. Os objetivos são:

  1. Promoção da visão periférica;
  2. Estimulação cognitiva;
  3. Exploração do passado (quem era, do que gostava, o que a fazia feliz) e consequente listagem;
  4. Implementação de técnicas e estratégias que visem a valorização do interior, como aprender a priorizar, delegar, gerir tempo, desapegar, arriscar, o abandono de comportamentos negativos e adopção de comportamentos que em criança deixavam a pessoa feliz, deixar ir, parar, entre outras.
  5. Elaboração de um propósito de vida ajustado à natureza da pessoa em causa.

Através da intervenção e gradualmente, a pessoa irá regressar a si mesma e ser humana.

 

Desejos de melhorias significativas e que parem de se esconder de vocês mesm@s! Deixem de acreditar em coisas sem sentido como acharem que a felicidade só existe para alguns como forma de não mexerem esse rabo! A verdade é que os vossos medos são desculpas bem elaboradas para que possam manter-se onde, apesar de mau, vos é familiar. Mas a mudança é inevitável. Ou ficas à espera e só encontras vitimização ou vais e agarras o mundo. O que é que preferes?

Da minha autoria, nunca é demasiado tarde, nem demasiado cedo, para serem felizes.

 

A Psicóloga Lá de Casa.

 

*DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) é o livro que psiquiatras e psicólog@s de todo o mundo usam para diagnosticar as doenças do for mental e psicológico. Aqui brinco com o nome.