Vamos falar sobre a Morte
A morte é um tema tabu no mundo ocidental. Se no oriente se vive preparando a morte, no ocidente vive-se evitando a morte.
Iludid@s, acelerad@s e correndo como se fossemos morrer já amanhã, mas sem viver. Frases que ouvimos como: “Há que aproveitar a vida” ou “Quando morrer sou defunt@” são na verdade uma grande treta, porque chegamos à conclusão que por querermos fazer tudo, nada fazemos, verdadeiramente. E quando isto “bate” sofremos. E quando o prenúncio de morte se anuncia, o/a defunto/a não lhe é assim tão insensível.
Já vos aconteceu irem a caminhar ou numa viagem e de repente percebem que estiveram tão ocupad@s a tirar uma fotografia, ou a postar no instagram, que não viram nada? Pois…
Mas voltemos à Morte, que quando nos toca à porta não lhe há como escapar. Nesse momento percebemos enfim a nossa mortalidade, a nossa fragilidade perante o universo. Não satisfeitos, desviamos o assunto na fugaz (e triste) premissa do seu desvanecimento.
Quem dela está próximo, ou por afinidade ou pela sua pessoa, percebe como é importante falar dela e como ninguém consegue falar dela. Mas a morte, aqui personificada, é tão natural como a vida. E é assim, com naturalidade que deve ser vivida.
Porquê esta dificuldade em falar?
Porque na verdade, falar sobre a morte, trás à luz os meus próprios medos e inseguranças e então, primeiro terei que os vencer, para me capacitar nesta comunicação de forma fluida.
No filme “A Beautiful Day in the Neighborhood” que tem o Tom Hanks como protagonista, há um momento em que o pai de outro ator diz que tem poucos dias de vida. Depois do típico e constrangedor silêncio, o personagem de Tom Hanks toma a palavra. E fala sobre isso, sobre esse caminho, essa passagem que é a morte. Com a mesma naturalidade, entoação, prosódia e seriedade que falaria acerca de um outro acontecimento de vida.
Então, se eu conhecer alguém que está numa fase terminal, o que deverei fazer?
1. Falar sobre ela de igual para igual, não demonstrando pena mas empatia;
2. Não evitar o contacto físico com essa pessoa, pelo contrário, procurá-lo;
3. Guardar os lemas de vida e frases feitas para nós. Não servem aqui pois não temos experiência na matéria;
4. Não a julgar pelas emoções e/ou expressões que ela transmita e guardar para nós os melhores momentos e as suas melhores qualidades. Esta não será uma fase “em bom” para essa pessoa.
5. Estar presente.
Muitas pessoas também me perguntam, como devemos explicar a morte às crianças. Com a mesma naturalidade. É importante que elas desde pequenas saibam que existe a morte, que existe um paralelo de onde não há retorno mas onde permanece a nossa existência. Podem utilizar comum (e bonita) estrelinha no céu. O importante, é a criança desde cedo aprender a lidar com isto, porque é algo que irá ver para o resto da vida.
Com naturalidade encerro este tema, com a certeza de que outro se iniciará em breve…
A Psicóloga lá de Casa.

