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A grande ilusão

A natureza está sempre em movimento. vento, chuva, sol, nuvens, ciclos…estações.

E eu permaneço aqui, a ver, passivamente. Aqui só existo, nada me é pedido, nada tenho de fazer apenas ver, ouvir, sentir, estar atenta.

Devo agir conforme os ditames da mesma. Remar a favor, não contra.

Infelizmente vejo que isso é exactamente o que não estamos a fazer. Prevemos, antecipamos, planeamos. A meteorologia é disso exemplo. Não agimos com base em sinais mas antecipamos e preparamos a roupa que vamos levar. Estamos a manipular o próprio tempo. Ao fazê-lo deveríamos “ganhar tempo”. Mas não. Porquê?

Porque todo o tempo ganho gastamos a ocupá-lo com mais planos e antecipações.

Vivemos no futuro e não no aqui e a agora.

Não paramos para VER e pensar.

Isto é nós a querermos ser que não somos – criador@s. Divinos. De facto somos (dizem) o ser vivo mais evoluído, o que faz mais coisas, o que se transcende em termos cerebrais e o mais infeliz.

Estamos a viver uma vida que não nos foi confiada.

Estamos a usurpar o trono da criação. Como é que eu sei que esta não é a nossa vida?

Porque cada vez nos afastamos mais da bondade e nos aproximamos mais da competição, raiva, inveja, ciúme, agressividade, atacamos o nosso semelhante quando sentimos que ele é mais forte ou melhor ou tem mais coisas.

Estamos a perder a humildade, a bondade, a servidão. Estamos a seguir o caminho da perdição. Como é que eu sei?! Porque não estamos mais felizes. Pelo contrário, somos a geração que mais coisas tem, melhores condições de vida e a mais infeliz.

Que ilusão…estamos pres@s no matrix.

Correr, mostrar, números, cansar muito, suar… que pancada.

Assumimos que isto é a vida porque olhamos para os lados e todos andam para aí a fazer acima do que lhes e pedido, a correr correr correr para ter uma casa (que nunca será nossa), viagens, carros, eletrónica e roupas de marca, muitas ou novas. Que grande ilusão!

Quando percebemos que possuímos a centelha divina, que há algo que nos liga à natureza e que nos permite criar, perdemos-nos. Achamos que isso iria servir para brincar de criador@s e melhorar a nossa condição, abrimos a caixa de pandora: o pensar no como conduziu-nos ao overthinking. Pensamos no que pensamos e no que estamos a pensar.

Isso está a por-nos doentes, tristes, com raiva, zangad@s. Quando queremos parar percebemos que somos os filhos desordeiros. Que poucas ou nenhumas pessoas nos querem ouvir, saber. É quase como se sofrêssemos de uma doença contagiosa. Ser saudável num contexto de doença..quem é que está certo quando o tod@s estão errad@s?

Que grande ilusão.

Foca aqui – não é sobre isto a vida…quem nos criou deixou-nos alguns erros e um deles chama-se Miswanting – aquilo que queres e achas que é lá, nesse sitio que reside a tua felicidade…Não, ela está aí exatamente onde estás ao teu lado. Quando parares de a procurar, vais vê-la.

 

A Psicóloga lá de Casa.